A DÉCIMA SEXTA SESSÃO OU A MORTE DE DOIS UNICÓRNIOS...

  




Onde as lendas surgem do mundo cotidiano e pacato, se misturando com a realidade, e a aventura espreita em cada canto, formou-se a trupe de aventureiros o Unicórnio Saltitante. Após cruzarem o véu de Faéria e devolverem a pureza à Fonte de Petra, os heróis enfrentaram aberrações voadoras e descobriram sobre a verdadeira ameaça que paira sobre o Vale das Nuvens. Agora precisam invadir o lar das criaturas aberrantes...


Aprecie este pequeno resumo dos eventos que levaram os aventureiros a buscar por respostas nas montanhas ao norte do Vale.



O Vale das Nuvens





SESSÃO DEZESSEIS: A MORTE DE DOIS UNICÓRNIOS



O crepúsculo descia denso sobre o Vale das Nuvens, mas a clareira que dava acesso às antigas Minas Anãs era iluminada por um brilho alaranjado e cruel. O antigo elevador de madeira, consumido pela bola de fogo conjurada por Isolda na tentativa de frear o avanço inimigo, ardia intensamente. O que havia começado como uma tensa negociação e uma missão tática contra os goblins profanadores rapidamente se converteu em um caos absoluto.


De todas as direções, das sombras e do alto, os inimigos convergiam. Goblins colossais, distorcidos pelas energias dos Poços de Io-Rach até atingirem o tamanho de orcs, marchavam com brutalidade, enquanto aberrações aladas que um dia foram serpes rasgavam os céus esfumaçados. Os Unicórnios Saltitantes estavam cercados e, desde o primeiro cruzar de lâminas, a sorte pareceu lhes virar o rosto.




Isolda fica as portas da morte



A Queda dos Bravos


Sem as preces curativas do sacerdote Lázaro, ausente nesta terrível jornada, a linha de frente do grupo suportou um castigo muito além dos seus limites. Ketil, o inabalável clérigo de Thor, e Darian, o berserker filho bastardo de Ludwig von Hendriks, lutaram com a ferocidade de lendas, segurando o avanço dos goblinoides com escudos, machados e fúria. Mas a carne tem limites que a coragem não consegue suprir.

Aos poucos, a exaustão e os golpes implacáveis dos goblins mutantes e serpes aberrantes cobraram seu preço. Sob o peso de ataques brutais, as defesas romperam. Ketil tombou primeiro, seu espírito combativo finalmente soltando-se da carne para juntar-se às Valquírias nos salões de Valhalla, deixando para trás o estrondo dos trovões de Thor. Logo depois, o nobre Darian caiu sob o golpe de um machado goblin. Seus olhos se fecharam na terra fria das montanhas, seu último suspiro roubando-lhe para sempre a chance de concretizar a vingança que tanto almejava.

A perda de ambos atingiu Isolda e Lora não apenas como um golpe tático, mas como uma pedrada na alma. Metade da família que construíram nas estradas de Karameikos havia acabado de morrer diante de seus olhos.



Darian e Ketil caem derrotados



Sombras, Desespero e o Custo da Sobrevivência


A batalha parecia perdida. Lora, a barda meia-elfa, caiu sob o fio do machado de um goblin mutante com o corpo em chamas. Sozinho de pé, ferido, com apenas um espaço de magia restante e com a saída bloqueada por dois gigantes mutantes, uma bruxa e uma feiticeira-alquimista, Isolda encarou o fim. A razão dizia para se render, mas a teimosia e o luto falaram mais alto.



Isolda desesperado usa todas as cargas de Vorgnaz, que se desintegra




Em um ato de desespero absoluto, o mago humano sacou de seu cinto a varinha negra que haviam barganhado com os refugiados: Vorgnaz, O Fio que Não Reflete. Canalizando toda a sua angústia, Isolda drenou implacavelmente cada carga mágica do artefato. Rajadas sombrias rasgaram o ar, fulminando os dois mutantes gigantes e dilacerando a bruxa goblin. O poder foi tamanho que Vorgnaz não resistiu, desfazendo-se em pó e fumaça escura entre os dedos do mago. Mas a bruxa cambaleante ainda poderia lançar maldições poderosas, e a feiticeira-alquimista não tinha um arranhão sequer.

O silêncio parecia prestes a engolir a última esperança, mas Lora abriu os olhos. O fio de sua vida recusou-se a arrebentar. A barda estabilizou seus próprios ferimentos por pura força de vontade, ergueu-se das pedras e, com a voz embargada mas letal, entoou uma magia trovejante que arremessou a bruxa goblin ao chão, derrotada.



Lora conjura sua última magia



Cinzas e Luto no Vale das Nuvens


Restava apenas a goblin feiticeira-alquimista. Vendo seus aliados mortos e a determinação insana dos unicórnios sobreviventes que se recusavam a morrer, a conjuradora inimiga tentou uma última negociação. Diante dos olhares vazios e mortais de Isolda e Lora, percebeu que não haveria misericórdia. Com uma risada áspera, a goblin lançou-se no poço do elevador em chamas, desaparecendo entre as labaredas e a fumaça rumo às profundezas.



Os sobreviventes da Batalha Aberrante



A clareira silenciou. Não havia comemoração, apenas o som da madeira estalando no fogo e o vento frio da montanha. Isolda e Lora olharam para os corpos caídos de Darian e Ketil. A vitória teve um gosto de cinzas e o preço pago foi cobrado em nomes, histórias interrompidas e canecas que nunca mais serão erguidas na taverna.

O caminho para o interior das minas, através do poço enfumaçado, ainda aguarda. Mas enquanto o Vale das Nuvens se cobre novamente de neblina, os dois heróis sobreviventes sabem de uma verdade imutável: os Unicórnios Saltitantes continuarão, mas a campanha mudou para sempre.




Os Unicórnios são apenas uma imagem na parede. Mas como dói.









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