
Onde as lendas surgem do mundo cotidiano e pacato, misturando-se com a realidade, e a aventura espreita em cada canto, formou-se a trupe de aventureiros conhecida como os Unicórnios Saltitantes.
Após enfrentarem o Anel de Ferro em Efúgio, invadirem masmorras ancestrais no Vale, atravessarem o véu de Faéria, purificarem a Fonte de Petra e descerem aos horrores ocultos nos Poços de Io-Rach, os aventureiros finalmente haviam derrotado o Trio Profano. Ur-Jasz, Kezzerug e Gog’drozaun estavam mortos. O Observador Gazriktac havia tombado. E até mesmo a manifestação aquática de uma entidade conhecida apenas como Shaboath fora destruída.
Mauro e Roger haviam sido encontrados com vida. As antigas Minas Anãs estavam livres dos goblins mutantes e das aberrações que as infestavam. Restava aos aventureiros descer as montanhas, devolver os sobreviventes às suas famílias e, talvez pela primeira vez em muito tempo, pensar no que fariam depois.
O Primeiro Arco da campanha parecia ter chegado ao fim. Ou não?
Aprecie este pequeno resumo dos eventos que levaram nossos heróis de volta ao Vale das Nuvens — e os lembraram de que algumas coisas talvez não aceitem tão facilmente permanecer enterradas.
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| O Vale das Nuvens |
SESSÃO VINTE E CINCO: DE VOLTA AO VALE
Depois de um descanso merecido, os aventureiros finalmente deixaram para trás as ruínas das antigas Minas Anãs. Lázaro e Lora ainda se recuperavam do mal-estar que os havia afastado da última incursão. Desta forma, Thalion recorreu a Nimbus, sua gigantesca roca mágica que habitava uma estatueta que carregava consigo, para poupar os dois companheiros debilitados de parte da difícil descida, enquanto os demais seguiam pelas trilhas com os cavalos. Durante dias, aquelas montanhas haviam sido sinônimo de morte. Agora, pela primeira vez, os Unicórnios Saltitantes as desciam sem a expectativa imediata de precisar retornar e apreciavam a paisagem do Vale.
A trilha os levou novamente à ponte controlada pelos goblins conhecidos como Águas Negras. Não fazia tanto tempo que aqueles mesmos goblins exigiam pedágio dos viajantes. Depois de algumas negociações, entretanto, um acordo havia sido firmado: se os aventureiros eliminassem aquilo que contaminava as antigas minas, os Águas Negras abandonariam a extorsão e poderiam ocupar novamente o antigo complexo de seus ancestrais. Vando foi direto ao assunto: O problema estava resolvido. Os líderes do Trio Profano estavam mortos, as aberrações haviam sido eliminadas e os prisioneiros haviam sido libertados. As minas eram novamente dos Águas Negras.
A notícia foi recebida com gratidão e, aparentemente, com certa incredulidade. Durante quase uma hora, os goblins fizeram perguntas sobre o que acontecera nas profundezas e começaram a reunir seus poucos pertences para a mudança. Antes de se despedirem, deixaram clara uma decisão. A descida que levava aos Poços de Io-Rach seria selada. Ninguém deveria voltar a tocar naquele lugar amaldiçoado. Vando concordou, afinal, algumas portas existem por um motivo. Com o acordo cumprido, os Unicórnios cruzaram a ponte pela última vez e retomaram a estrada. Cataratas de Serpes os esperava.
Foram necessários dois dias para completar o caminho das Minas ao povoado. Quando os primeiros telhados de Cataratas de Serpes surgiram entre as árvores, ninguém tocou trombetas. Não havia muralhas, portões ou guardas para anunciar a chegada dos aventureiros. Cataratas continuava sendo aquilo que sempre fora: um pequeno povoado de pouco mais de uma centena de habitantes perdido no norte do Vale das Nuvens. Não demorou, porém, para que alguém reconhecesse Vando. Depois reconheceram Mauro. Depois Roger. Uma criança começou a correr entre as casas.
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| Os Águas Negras voltam pra casa |
Eles Chegaram!
— Eles chegaram! Eles chegaram!
A notícia espalhou-se mais rápido do que qualquer mensageiro poderia acompanhar. Portas se abriram. Camponeses abandonaram tarefas. Homens e mulheres começaram a se reunir na estrada enquanto os cavalos avançavam lentamente pelo povoado. Vando estava em casa. Mauro e Roger também. Para algumas famílias, aquele era o fim de dias de incerteza. Para outras, a chegada dos aventureiros trouxe a confirmação que ainda tentavam evitar: Nem todos os caçadores haviam retornado...
Algumas pessoas abraçavam aqueles que voltavam. Outras permaneciam um pouco afastadas, procurando entre os rostos dos sobreviventes alguém que não estava ali. A vitória nas montanhas havia custado caro. Ainda assim, dezenas de moradores se aproximaram para agradecer. Crianças queriam saber o que acontecera. Adultos apertavam mãos e faziam perguntas. Em poucos minutos, os aventureiros praticamente desapareceram no meio da pequena multidão. Isolda, sempre disposto a atender aos curiosos, começou a produzir pequenos truques de Prestidigitação para divertir as crianças. Vando procurou seus parentes e conhecidos. Shadowmoon parecia menos interessado nas comemorações. E Thalion, pouco habituado a multidões e ainda menos confortável sendo tratado como herói, preferiu manter alguma distância. Foi em meio à recepção que uma mulher desconhecida se aproximou: Seu nome era Megan. Ela viera de Efúgio em nome do Patriarca Irmand Toren.
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| A chegada |
A Recompensa do Patriarca
Megan explicou que Irmand Toren tivera confiança de que os aventureiros concluiriam a missão e a enviara para Cataratas com o pagamento anteriormente combinado. Isolda tentou recusar pois, segundo o mago, o verdadeiro pagamento era o bem-estar daqueles habitantes. Era um gesto nobre. Infelizmente, alguns de seus companheiros possuíam opiniões ligeiramente diferentes sobre a utilidade das moedas. Isolda reconsiderou. A pesada bolsa entregue por Megan continha dez mil coroas de prata. Mas o Patriarca enviara também outra coisa: Uma pequena caixa.
— Algumas coisas aqui provavelmente serão úteis — explicou Megan. — Mas há uma delas que espero que vocês não precisem usar.
Dentro estavam uma poderosa poção de efeito curativo, um elixir capaz de restaurar o corpo de doenças e outros males e, principalmente, um pergaminho contendo uma magia capaz de trazer alguém de volta do mundo dos mortos. Os aventureiros trocaram olhares. Possivelmente seria necessário.
Jão, um dos líderes locais, também encontrou o grupo. Agradeceu pela destruição da ameaça e, sobretudo, por terem trazido Mauro e Roger de volta. Então lembrou daqueles que não haviam retornado. Nenhuma vitória conseguiria trazer todos para casa...
Enquanto Cataratas começava a organizar uma comemoração para aquela noite, os Unicórnios tiveram algum tempo para cuidar de seus próprios assuntos. Thalion procurou uma maneira de enviar uma mensagem para seus superiores. Um pombo seguiria primeiro para Efúgio e, de lá, a mensagem continuaria pelas rotas de Karameikos. O texto era simples.
"O problema nas montanhas estava resolvido. Ele deveria retornar ou permanecer com aquele estranho grupo de aventureiros?"
Enquanto aguardava uma resposta que levaria dias para chegar, o elfo teve ainda tempo para descobrir que Isolda possuía uma curiosidade quase infantil a respeito de Nimbus. Então eles voaram. Uma viagem sobre o Vale rapidamente se transformou em experiência arcana quando o mago decidiu saltar das costas da enorme roca e descer lentamente até o chão protegido por uma magia que o fazia cair como uma pena. Thalion concluiu que humanos talvez demorassem mais para amadurecer do que seus estudos indicavam. Isolda, por outro lado, concluiu que precisava repetir aquilo mais vezes.
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| O Voo e a Queda |
Pão, Cerveja e Música Ruim
A comemoração começou ao anoitecer. O grande galpão do povoado, usado para armazenar mantimentos durante o inverno e para reuniões nos períodos mais quentes, tornou-se salão de festas. Havia pão. Havia carne. Queijos foram espalhados pelas mesas, jarras de cerveja circulavam de mão em mão e tortas e outras sobremesas campesinas desapareciam em velocidade preocupante sempre que Isolda passava por perto. Que Lázaro se preparasse para cuidar do estômago do mago no dia seguinte...
Algumas crianças permaneceram dentro do galpão, correndo entre os adultos. Outras brincavam do lado de fora, perseguindo os primeiros vagalumes da noite. Um camponês apareceu com um instrumento que, mediante grande generosidade, poderia ser chamado de banjo, e começou a tocar. Não particularmente bem, mas ninguém pareceu se importar.
Vando conversava com parentes e amigos que não via há alguns dias. Isolda comia doces e produzia pequenas luzes mágicas para divertir as crianças. Thalion pegou alguma coisa para comer, mas preferiu permanecer do lado de fora, perto de uma encruzilhada de onde pudesse observar o povoado e, principalmente, as crianças que brincavam nas proximidades.
Nãoque esperasse um ataque. Simplesmente não gostava muito de festas. Por algum tempo, tudo pareceu normal. Depois de goblins mutantes, serpes aberrantes, horrores do Reino Distante e mortes demais, os aventureiros descobriram uma coisa rara: Paz. Existiam pão, cerveja, doces, música ruim e pessoas vivas. Era suficiente. Então Isolda percebeu que havia alguma coisa errada com a fogueira.
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| O pagamento vindo de Efúgio |
O Retorno
As chamas mudaram. Não apenas de cor. Elas começaram a se inclinar. Em vez de subir, curvavam-se para dentro, como se alguma força invisível as puxasse para o centro da fogueira. Isolda imediatamente compreendeu que aquilo não era natural. Nem mesmo para uma fogueira construída no Vale das Nuvens. Alguma coisa estava usando as chamas. Um portal!
Antes que alguém pudesse reagir, uma forma monstruosa atravessou o fogo. Tentáculos. Carne que parecia existir de maneira errada. Uma criatura que não pertencia àquele mundo. Fergie estava perto demais. Um dos tentáculos atravessou o espaço entre os dois e envolveu a velha bruxa. Houve um movimento brutal e Fergie foi rasgada ao meio. Por um segundo, ninguém reagiu. Então os gritos começaram. Os camponeses correram. Mesas foram derrubadas. Canecas despencaram no chão. A música terminou. E algo como uma voz surgiu diretamente na mente daqueles que estavam próximos.
— Viram? Meu retorno nem demorou.
Vando reconheceu imediatamente o significado daquelas palavras. Nas minas, quando a manifestação de Shaboath fora destruída, a criatura havia prometido que aquele seria apenas o primeiro confronto. Aparentemente, tinha falado sério.
A Festa Acabou
Vando reagiu antes que o horror pudesse consolidar sua presença. Marcando a criatura como sua presa, o caçador disparou duas flechas em rápida sucessão. Os projéteis atingiram o monstro com violência e fizeram a aberração voltar sua atenção para ele. A resposta atingiu não apenas os aventureiros. Uma descarga gélida de origem sobrenatural atravessou parte do galpão. Vando e Isolda resistiram ao pior de seus efeitos. Três camponeses não tiveram a mesma sorte. Em poucos segundos, quatro habitantes de Cataratas estavam mortos.
Fergie e mais três pessoas que, momentos antes, bebiam, comiam e comemoravam o fim da ameaça.
Isolda avançou para uma posição de onde pudesse atacar sem atingir nenhum dos moradores e, após gritar palavras arcanas e gesticular rapidamente, uma linha de eletricidade explodiu de suas mãos. O raio elétrico atravessou o galpão e atingiu diretamente a aberração. A criatura conseguiu resistir parcialmente à descarga, mas a magia ainda queimou sua carne impossível. Thalion ouviu os gritos do lado de fora. O elfo abandonou sua posição de vigia e correu para o galpão. Ainda antes de alcançar a entrada, encontrou um ângulo para o disparo, e a flecha acertou. Uma pequena quantidade de fogo mágico tocou a criatura e ela reagiu. Thalion conhecia aquela reação: O golem nas minas também não suportara as chamas.
Shaboath — ou ao menos as manifestações que conseguia enviar para Mystara — parecia compartilhar aquela fraqueza, ou ao menos não era resistente a fogo. Shadowmoon também abriu fogo contra o monstro, somando seus ataques aos disparos dos dois arqueiros. Mauro, recém-libertado das minas e ainda longe de estar plenamente recuperado, pegou o próprio arco. Se aquela era sua vila, ele também lutaria por ela.
Enquanto isso, Thalion começou a gritar para os moradores:
— Saiam do galpão! Fujam!
Jão não precisou ouvir duas vezes. Armado com pouco mais do que uma clava e consideravelmente mais coragem do que prudência, começou a direcionar os camponeses para as saídas laterais. As crianças foram as primeiras. Depois os demais. A evacuação estava funcionando. Foi então que as chamas se abriram novamente e três novas criaturas atravessaram o portal.
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| A invasão na festa |
Coisas Que Não Deveriam Existir
Eram menores do que a manifestação principal, o que não significava que fossem menos perturbadoras. Entre elas estava uma criatura semelhante a um cérebro sustentado por patas, uma coisa feita para invadir corpos e mentes. Outra lembrava vagamente os horrores oculares enfrentados nas minas. A terceira espalhava ao redor de si uma sensação de desconforto que só aumentava quando seus gritos ecoavam pelo galpão.
Vando ignorou os recém-chegados: Shaboath era o alvo! O caçador retesou o arco. Uma flecha. Depois outra. Os disparos abriram grandes ferimentos na criatura e quase destruíram aquela manifestação sozinhos. Quase.
A aberração avançou. Tentáculos agarraram Vando e o mantiveram preso. O golpe seguinte encontrou o caçador sem espaço para escapar. Vando caiu inconsciente. A criatura ainda estava sobre ele quando Shadowmoon atacou. O espadachim concentrou sua energia psíquica e atingiu o monstro com dois disparos precisos. O último atravessou sua massa grotesca e a manifestação de Shaboath vacilou. Sua forma começou a perder consistência.
Antes de cair, uma última mensagem ecoou nas mentes dos aventureiros.
— Eu voltarei.
E então ela tombou mais uma vez. Não havia tempo para comemorar. As criaturas menores continuavam dentro do galpão.
Isolda decidiu resolver vários problemas ao mesmo tempo. O mago conjurou uma esfera cromática carregada com energia trovejante. O primeiro impacto atingiu uma aberração. Então a esfera ricocheteou e atingiu uma segunda. Ela mudou novamente de direção e acertou uma terceira. E parecia continuar saltando pelo campo de batalha como se tivesse desenvolvido alguma opinião pessoal a respeito das criaturas do Reino Distante, ainda que não houvessem mais alvos. Em uma fração de segundos, os servos de Shaboath estavam severamente feridos. Thalion escolheu como alvo a criatura semelhante a um cérebro. Preparou uma de suas flechas elementais. Desta vez, trovão! Parecia o elemento perfeito.
O disparo atravessou o galpão e acertou a aberração com força suficiente para destruí-la antes que pudesse alcançar qualquer um dos corpos espalhados pelo chão. Restava pouco. Muito pouco. Uma última criatura ainda urrava em meio à devastação. Isolda olhou para ela. Depois olhou para a própria faca. Às vezes, mesmo um mago deve resolver seus problemas de maneira simples. Conduziu energia radiante pela lâmina com seu truque preferido, avançou e golpeou. A criatura gritou. Isolda girou a faca dentro da ferida e a última aberração estava morta. A fogueira voltou ao normal.
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| Isolda conjura sua esfera cromática |
O silêncio depois do combate foi pior do que o barulho. Os corpos das aberrações começaram a perder consistência, como se voltassem do lugar de onde vieram. Pouco a pouco, desmancharam-se diante dos olhos dos aventureiros. Em menos de um minuto, não restava praticamente nada deles.
Nem sangue, nem cadáveres. Nenhuma prova física de que aquelas criaturas realmente haviam estado ali. A comida preparada perto da fogueira, entretanto, estava arruinada, assim como a festa. Vando permanecia inconsciente.
Isolda correu até ele e conseguiu estabilizá-lo antes que sua condição piorasse. Algum tempo depois, o grupo utilizou um dos estranhos artefatos que carregava — uma caneca capaz de transformar sangue em energia restauradora — para devolver forças ao caçador. Quando finalmente acordou, Vando descobriu duas coisas. Continuava vivo. E havia um forte gosto de sangue em sua boca. Talvez também um pouco de açúcar, afinal, Isolda estava por perto e foi seu sangue que encheu a caneca.
Megan utilizou sua própria magia para tratar parte de seus ferimentos e se ofereceu para ajudar os demais. Thalion, enquanto isso, examinou a fogueira. Sua experiência com elementais e fenômenos planares indicava algo preocupante. Aquilo não fora simplesmente uma criatura teleportando-se. A fogueira havia sido transformada em uma passagem. Um portal fora canalizado através das chamas e o desaparecimento dos cadáveres indicava que aquelas criaturas provavelmente nunca haviam pertencido completamente àquele plano.
Thalion procurou Isolda.
— Como eu disse, mago... vocês têm inimigos poderosos.
O elfo não acreditava que o ataque tivesse sido aleatório. Shaboath havia vindo atrás deles.
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| O Velório |
Mau-Olhado
Os moradores começaram a recolher os mortos. O que algumas horas antes seria uma comemoração transformou-se em procissão. Mauro e Roger empunharam novamente seus arcos e ajudaram a proteger o caminho. Jão acompanhou o grupo. Thalion ficou na retaguarda, com uma flecha preparada, observando cada sombra. Os corpos foram levados até o pequeno cemitério próximo da antiga casa de Fergie. Um a um, os habitantes de Cataratas falaram sobre os mortos.
Amigos. Parentes. Vizinhos. Pessoas que algumas horas antes comemoravam a paz.
Já passava das duas da manhã quando o último corpo foi enterrado. Foi Jão quem resumiu o que todos estavam pensando.
— Essa festa virou um velório.
Depois permaneceu alguns segundos em silêncio.
— Ainda bem que ocês tavam aqui para enfrentar aquelas coisas... mas, sei lá, acho que aquelas coisas nem vinham se ocês não estivessem aqui.
Olhou para os aventureiros.
— Ocês tão sendo perseguidos. Cuidado. Isso é mau-olhado.
Isolda teve de admitir que o homem provavelmente estava certo. Thalion foi ainda mais longe. Se aquela era realmente a mesma presença que possuíra a estátua das minas, então ela conseguia projetar manifestações de algum plano distante para atacar os aventureiros onde quer que estivessem. E nada garantia que a próxima surgiria durante uma batalha. Poderia aparecer em uma taverna. Durante um descanso. No meio de outra cidade. Talvez a criatura fosse apenas uma aberração especialmente poderosa. Talvez fosse um lorde de algum plano exterior. Talvez algo ainda pior. Eles não sabiam. Mas concordaram em uma coisa. Quanto mais tempo permanecessem em Cataratas, maior seria o risco para os habitantes.
Partiriam pela manhã.
De Volta a Efúgio
A estrada levou novamente os Unicórnios Saltitantes até Efúgio. Havia uma coisa que precisava ser feita antes de seguirem para Limiar. Darian ainda estava morto. O pergaminho enviado pelo Patriarca Irmand Toren chegara no momento certo. O sacerdote recebeu os aventureiros e concordou em realizar o ritual. Não seria a primeira vez.
A mesma sala em que Mira havia sido devolvida à vida foi novamente preparada. Símbolos sagrados foram posicionados. Preces foram feitas. O corpo do nobre foi colocado no centro do ritual. Irmand Toren abriu o pergaminho. A poderosa magia foi liberada e Darian voltou a respirar.
Um dos mortos das minas retornara. Nem todos poderiam ter a mesma sorte.
Isolda aproveitou a passagem por Efúgio para procurar Mira. Muito havia acontecido desde que o jovem mago lutara para trazer sua amiga de infância de volta. Agora outro caminho se abria diante dele. Isolda despediu-se e pediu que Mira permanecesse em segurança, protegida pela Igreja da Santa Guarda e pelos cuidados de Irmand Toren. Não era um adeus definitivo, mas era uma despedida.
Shadowmoon também havia deixado claro que talvez fosse hora de seguir seu próprio caminho. O espadachim devolveu ao grupo os objetos que carregava e se preparou para se afastar daquela estranha companhia. Lora estava salva, e ele começou a desconfiar de que esse grupo estava de alguma forma amaldiçoado. Com Darian novamente vivo, a formação dos Unicórnios Saltitantes começava a mudar mais uma vez.
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| Darian volta do mundo dos mortos |
A Estrada para Limiar
Restavam três dias de viagem. Três dias até Limiar. A maior cidade do norte de Karameikos. Capital do Baronato de Limiar. Terras governadas pelo Barão Sherlane Halaran, Patriarca da Igreja de Karameikos naquela região. Ali estava Sir Asdrúbal. Ali estavam novos objetivos. Ali talvez estivessem respostas.
Durante a viagem, os aventureiros discutiram o que fariam quando alcançassem a cidade. Havia assuntos pessoais. Havia promessas. Havia recompensas a gastar e mistérios ainda sem solução. E agora havia Shaboath. Os Unicórnios Saltitantes haviam descido às Minas Anãs para impedir que a corrupção do Reino Distante destruísse o Vale das Nuvens. Eles conseguiram.
Os goblins mutantes estavam mortos. Os Poços de Io-Rach seriam selados. Os sobreviventes haviam voltado para casa. O Vale estava salvo. Ao menos daquilo que permanecia dentro das minas.
Porque, em algum lugar além das fronteiras conhecidas de Mystara, alguma coisa agora sabia quem eram os Unicórnios Saltitantes. Alguma coisa conseguia encontrá-los. Alguma coisa havia prometido voltar. E já provara que cumpria suas promessas. Talvez o arco do Vale das Nuvens tivesse finalmente terminado. Talvez. Mas as Crônicas de Mystara estavam apenas começando.
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| Fim do 1º Arco |
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